A carta para o Pai Natal - Luísa Ducla Soares

Albertina Matos

A Carta para o Pai Natal O Zeca não sabia se havia ou não de acreditar no Pai Natal. Às vezes falava dele ao tio Arnaldo, com quem vivia desde que a camioneta em que os pais viajavam se tinha desfeito numa ribanceira. Mas este punha-se a troçar. — Ó rapaz, eu sou guarda-nocturno e nunca o encontrei na noite de Natal. Cruzo-me com gente que vem das discotecas, vadios, assaltantes capazes de roubar a carteira ao mais sabido. Nunca encontrei um sujeito a trepar aos telhados para dar prendas às criancinhas. No entanto, todos os amigos da escola falavam do generoso velhinho de barbas e, quando voltavam de férias, nos primeiros dias de Janeiro, vestiam roupa nova, traziam carrinhos sem amolgadelas, desfolhavam livros de papel brilhante, cheios de ilustrações. Tudo ofertas do Pai Natal. — Será que o maroto não gosta de mim? — perguntava o miúdo, admirado por nada receber. — Ele gosta de toda a gente que se porta bem — afiançavam os colegas. — Mas tu e