O príncipe feliz - Oscar Wilde

Biblioteca escolar Constância

1 Lá ao cimo da cidade, numa coluna muito alta, estava a estátua do Príncipe Feliz. Estava coberto com finas folhas de ouro maciço, tinha duas brilhantes safiras como olhos e um enorme rubi vermelho brilhava no cabo da sua espada. Era realmente muito admirado. «Ele é tão bonito como um catavento», comentou um dos Conselheiros da Cidade que queria ganhar reputação por ter gostos artísticos; «só que não é tão útil», acrescentou, temendo que pensassem que ele não era uma pessoa prática, e realmente não era. «Porque é que tu não és como o Príncipe Feliz?» perguntou uma mãe sensível ao seu filhinho que estava a chorar pela lua. «O Príncipe Feliz nem sequer sonha em chorar por alguma coisa. » «Fico contente por saber que há alguém no mundo que é muito feliz», murmurou um homem desapontado, enquanto admirava a maravilhosa estátua. «Ele parece mesmo um anjo!» disseram as Crianças da Caridade ao saírem da catedral, em suas capas de escarlate brilhante e em seus aventais muito brancos. «C